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CANDOMBLÉ - AS LENDAS :

A história dos filhos de Oxalufã e Nanã Burucu :

Diz a lenda que Oxalufã vivia em seu reino com Nanã Burucu. Era um rei correto e bom mas cheio de afazeres. Ele deixava Nanã sempre sozinha. Ele, então, pediu a Ifá ( que representa o futuro e pode ser consultado através do jogo de búzios ) o consentimento para criar um filho para fazer companhia a Nanã. Assim foi feito e o filho, chamado de Oxaguiã, foi criado à semelhança do pai. No lugar de fazer companhia à Nanã, o filho tomava conta do reino e estava também cheio de responsabilidades e sempre representando o pai nas guerras e cerimônias fora do reino. Nanã mas uma vez se queixou da solidão na qual vivia e Oxalufã, para contentá-la, então pediu permissão para criar outro filho. Assim foi criado, sem o pecado original, Omolu que carregava consigo as doenças da humanidade. Ao contrário do primeiro filho, Oxaguiã, que era forte e cheio de vida, Omolu era raquítico e todo feridento. Nanã, esta vez, ficou revoltada e não tinha paciência para tomar conta deste filho doente. Ela o desprezou e o deixou na beira do mar. Foi ali, então, que Iemanjá tomou conta dele, cuidava de suas feridas e o dava o amor de mãe que Nanã não tinha dado. Mais uma vez, Oxalufã, para contentar e aplacar Nanã e evitar aborrecimentos fez outro filho, desta vez um irresponsável, interesseiro e de caráter duvidoso, Êxu, que gostava de brincar e pregar peças com todos os seres do reino. Foi a gota d'água para Nanã que se sentia humilhada; ela deixou o reino e foi se abrigar no reino de Xangô. Oxalufã, por sentir sua falta, consultou o adivinho que consultou a Ifá que lhe respondeu que não fosse buscar Nanã pois ele poderia sofrer um castigo pela desobediência. Mas ele, sentindo a falta, resolveu ir até o reinado de Xangô mesmo desobedecendo a Ifá. Ele então empreendeu sozinho e a pé a viagem ao reinado de Xangô em busca de Nanã, com um cacaio sobre os ombros e o paxerô para se apoiar. Cansado, no meio da estrada, parou para descansar quando apareceu um velhinho ( era Êxu fingindo-se de velho ) que lhe pediu para ajudá-lo a por na cabeça um pote cheio de dendê. Oxalufã, na sua bondade infinita, foi ajudá-lo sem perceber que era uma brincadeira do filho Êxu. Quando ele menos esperava, Êxu virou o pote cheio de dendê sobre Oxalufã e saiu rindo às gargalhadas. Oxalufã tentou limpar-se o máximo que pôde e continuou a viagem. Êxu, vendo que ele não desistia, tornou a se transformar, desta vez em um mendigo e com um saco de carvão. Oxalufã, ao vê-lo sentado numa pedra a beira da estrada, com o saco enorme perto dele e com a aparência de um pobre coitado, ofereceu mais uma vez ajuda. Quando Oxalufã suspendeu o saco, Êxu despejou o mesmo cheio de pó de carvão em cima de Oxalufã. Ao ver o pai todo melado de dendê e carvão, Êxu saiu rindo e pinotando pela estrada. Chegando mais a frente, novamente Êxu chegou em baixo de um pé de cajueiro e ficou sentado como mendigo, desta vez bem velhinho e com uma muringa enorme cheia de cachaça. Mais uma vez, Oxalufã pela sua bondade tentou ajudar o velhinho que, por sua vez, ao suspender a muringa para por na cabeça, a derramou sobre a cabeça de Oxalufã, que mais uma vez ficou melado, agora de cachaça. Novamente Êxu saiu rindo e pulando como um louco. Oxalufã se vendo tão sujo, lembrou-se do rio que passava ali perto e foi se banhar. Antes de chegar no rio, viu um cavalo branco que ele reconheceu como o de Xangô, porem, sem saber que o cavalo tinha fugido do reino de Xangô e que este, por ele ser de grande estimação, tinha mandado seus ministros à procura dele. Foi aí que encontraram Oxalufã dando água ao cavalo antes de tomar o banho. Por isso os ministros o trocaram por um salteador de estradas e sem demora o puseram numa gruta à beira da estrada e trancaram a saída, pois era assim que faziam com ladrões de cavalo na época. Voltaram ao reinado com o cavalo e nada disseram sobre o ladrão a Xangô.

Um tempo depois, as pessoas começaram a perceber a falta de Oxalufã pois este não aparecia mais nem no reino dele nem no de Xangô. Então os Orixás, ao se dar conta da falta do pai, saíram em busca dele. Iansã com a trovoada e os raios, Xangô com o trovão e seu cavalo branco, Oxum nas cachoeiras perguntando aos que passavam por ele, Oxossi e Osany nas matas. Enfim, todos Orixás das matas e do ar o procuravam. Assim se passaram sete anos e o reinado de Xangô entrou em calamidade e foi castigado por pragas, doenças e outros males. Foi então que um dos ministros lembrou-se e consultou a um adivinho que revelou onde estava Oxalufã. Foram em busca dele e ao encontrá-lo, todo sujo e alquebrado, o trouxeram para o reinado de Xangô aonde, nas escadarias do palácio, deram lhe um banho de água e perfume e lhe trocaram as vestes sujas colocando roupas alvas e limpas. Por isso, a partir desse dia, ficou determinado que filhos de Oxalufã só vestissem branco e não comessem dendê nem pegasse em carvão ou bebesse cachaça nos dias de Sexta-feira. Oxalufã, ao se achar limpo e bem vestido, todo de branco, e ao ver todos os Orixás reunidos na frente na escadarias do palácio de Xangô, fez então a criação de um filho que não era do céu e nem da terra, seis meses era homem, seis meses era mulher; seis meses novo e seis meses velho. Era gente e era cobra, vivia nas águas salgadas, doces e nas matas, era de todas as cores e servia de mensageiro entre o céu e a terra. Ele é chamado de Oxumaré e foi o criado de Xangô ( na terra de Angola ele é chamado de Angorô e na terra da Jêje de Dã ).

A história de Ogum e Yemanjá

Ogum, muito orgulhoso, tendo voltado de uma de suas guerras e por ter ganho mais uma batalha, quis dar uma festa para comemorar. Cheio de animais e inhame ( uma raiz comestível ), ele não tinha água para lavar e preparar as comidas. As Mucamas, criadas de Ogum, foram até Yemanjá, mãe dele, e fizeram o Ejó ( fuxico ou intriga ). Ela, para agradar a ele, saiu do mar e foi até uma pedreira perto do reino de Ogum, bateu o Ory ( cabeça ) nas pedras e cantou pedindo por água. A água, então, jorrou das pedras. As Yabás ( mulheres ) pegaram a água e levaram para fazer o Ajeum ( comidas ).

Ogum, rei no seu palácio, programou então a festa e decretou que não entraria homem. Como Oxum tinha sida convidada e queria que Oxossi fosse para a festa, este se vestiu de Yabá ( mulher ). Nesta noite foi gerado Logum Edé. Este é o enredo, diz os antigos, entre Oxossi, Ogum, Oxum e o nascimento de Logum Edé.

A história de Oxalufã, o acodidé e Oxum

Oxum, filha de Oxalufã e Yemanjá, deusa das cachoeiras, foi escolhida para guardar as roupas e os adereços de festa do pai. Ela tinha o maior cuidado e, por isso, causava inveja entre os outros Orixás e as mucamas ( empregadas ). Estas, com raiva de Oxum, fizeram um ebó ( feitiço ) na véspera da festa de Oxalufã para que Oxum sangrasse pelas partes genitais. Oxum sentiu o sangramento mas, como tinha a obrigação de cuidar das roupas do pai, assim o fez e se esqueceu do juramento que fez de só pegar nas vestes de Oxalufã totalmente purificada e vestida de branco. As mucamas que fizeram o ebó e que sabiam do sangramento de Oxum, foram a Oxalufã e fizeram o Ejó ( fuxico ou intriga ). Oxalufã, indignado, pôs Oxum para fora do reino. Esta, chorosa, foi a procura de sua mãe Yemanjá que, ao descobrir que as mucamas tinham feito um ebó contra Oxum, mandou pegar um acodidé ( um pássara com penas vermelhas ), torrou as penas e fez com eles um chá para Oxum. Esta bebeu o chá e parou de sangrar. Oxalufã, ao saber de tudo, castigou as culpadas e pediu desculpas à Oxum. A partir de então e como castigo, todas as mulheres na puberdade e até a idade na qual elas perdem o poder de procriar, sangram - ficam bajé ou menstruadas - uma vez por mês.

A história de Oxum e Obá

Conta a lenda que Oxum, como as três irmãs Obá, Iansã e Agué, eram apaixonadas por Xangô. Xangô preferia Iansã e, por isso, Obá foi à beira da cachoeira onde mora Oxum para pedir ajuda para conquistar Xangô. Oxum, como estava também interessada em Xangô, ensinou a Obá que cortasse a orelha esquerda e fizesse um amalá ( comida feita com quiabo ) e colocasse a orelha dentro pois, assim que Xangô comesse isto, ficaria apaixonado por ela. Obá, na sua ingenuidade, fez o que Oxum a ensinou. Xangô comeu do amalá e, logo após, caiu nos braços de Obá cheio de amor. Obá, feliz com o acontecido, foi e contou tudo a Oxum. Esta, ficou com mais ciúme ainda e resolveu chamar Xangô para lhe contar a verdade sobre a orelha de Obá. Xangô, sem acreditar, foi tirar a história a limpo com Obá e, lá chegando, a viu com um rico torço na cabeça cobrindo as orelhas. Ele pediu para que ela o tirasse, mas ela negou. Então, ele puxou o torço a força e descobriu que era verdade o que Oxum tinha contado. Indignado. Xangô correu para os braços de Iansã no lugar de correr para os braços de Oxum. Obá, enraivada, chegou na beira da cachoeira e, como ela é a senhora dos raios, esquentou as pedras da cachoeira para, então, chamar Oxum que ao sair da cachoeira, queimou os pés nas pedras quentes. É por isso que Oxum, quando incorporada no cavalo ( médium ), dança suspendendo os calcanhares.